segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A ansiedade e o adolescente

A ansiedade pode ser definida como um conjunto de reações fisiológicas, sensoriais e psicológicas, que se manifestam em situações diversas da vida humana.
TOC- Os pensamentos obsessivos são idéias ou imagens recorrentes que dispertam intensa angústia em função do seu conteúdo proibido e aflitivo. As compulsões são comportamentos específicos ou rituais mais elaborados que se repetem.
Transtorno do pânico-Embora o transtorno do pânico seja bastante incomum na infância, na adolescência pode ser observado com maior freqüência. Esse transtorno caracteriza-se pela ocorrência de ataques de pânico de intensa ansiedade, início súbito, recorrentes e grande sofrimento com sensações de falta de ar, vertigem, palpitação, tremores, náusea, formigamento e medo de morrer ou enlouquecer. Os adolescentes, no ataque de pânico, associam principalmente a sentimentos surgidos durante a experiência de apreensão.
Assim como acontece em outros quadros psicopatológicos, o transtorno do pânico pode passar imperceptível aos olhos de educadores e familiares em função da dificuldade que crianças e adolescentes possuem para verbalizar de forma explícita uma situação de sofrimento psíquico.
Depressão- No adolescente o quadro clínico se assemelha mais aos adultos, com desesperança e sensação de que as coisas não vão mudar, o que se reflete na elevação da prevalência de suicídio e tentativa de suicídio a partir da puberdade.
O adolescente pode ou não ter aparência triste ou cansada e preocupada.
TDAH- No adolescente diagnosticado com TDAH, observa-se um relato associado de agressividade e impulsividade. Sobre esse dado é necessário fazer uma análise bastante cautelosa para que não ocorra o erro de atribuir o rótulo de agressividade.
Esquizofrenia- A atual compreensão da esquizofrenia na adolescência, assemelha-se as manifestações observadas em adultos, pensamentos delirantes, alucinações, discurso desorganizado e severo retraimento por um período mínimo de 1 mês.
As alucinações visuais e auditivas são experimentadas de forma assustadora.
O pensamento delirante é também característica fundamental da esquizofrenia. O delírio pode ser entendido como uma conclusão a respeito de si mesmo, dos outros ou das situações que não podem ser validados em decorrência do seu conteúdo estranho ou impossível.
Transtornos de linguagem e comunicação na adolescência- Apesar de estarem relacionadas quando analisadas de forma abrangente, a comunicação, a linguagem e a fala, podem ser associados minuciosamente quando houver necessidade em aferir possíveis distúrbios no desenvolvimento da linguagem.
Os transtornos da linguagem relacionam-se as dificuldades apresentadas por crianças ou adolescentes na aquisição, compreensão ou expressão da linguagem falada ou escrita. Podendo envolver manifestações fonológicas, morfológicas, semânticas, sintáticas ou pragmáticas do sistema lingüístico que, de modo geral implicam num comprometimento no processamento de sentenças ou má abstração de conceitos de modo significativo e efetivo para a memorização.
Transtorno fonológico- Esse transtorno inclui dificuldade na fala, em decorrência de erros na produção de sons, substituições ou omissões. O transtorno fonológico, também traz graves conseqüências ao desempenho escolar, dificuldade de socialização com grupos e em casos mais graves, quadros de depressividade associados de auto-imagem frágil.
Transtorno de conduta- Não é possível pensar em critérios pré-estabelecidos, entretanto, é fundamental pensar na agressividade sem perder de vista a dimensão relacional ou seja, entender como e de que modo a manifestação aparentemente “agressiva” pode se constituir num recurso de sobrevivência ou busca da autonomia em alguns casos.
Faz-se necessário olhar para a atitude agressiva do adolescente buscando nela um entendimento, uma compreensão sobre o seu significado e sentido como recurso desenvolvido para se relacionar com o mundo.
Do ponto de vista da psicopatologia, a agressividade preocupa, podendo tomar-se característica do “transtorno desafiador opositivo” quando vem acompanhada de outras características.
Quando a agressividade passa a ser tratada e abordada apenas como uma característica indesejada e que deve ser corrigida, corre-se o risco de não compreender de que forma as atitudes agressivas se constituíram como recurso no mundo do adolescente.
Ao contrário do que se possa imaginar, a atitude desafiadora e opositiva, também pode vir acompanhada de um sofrimento e desamparo. No caso da criança e adolescente, a socialização pode estar comprometida, bem como a formação e manutenção de veículos afetivos.

Problemas Mentais na Adolescência

A adolescência é um período de intensas atividades e transferência na vida mental do indivíduo, levando a diversas manifestações de comportamento que podem ser interpretadas como sendo doença. Assim sendo, muitas das manifestações ditas normais da adolescência podem se confundir com doenças mentais ou comportamentos inadequados.
A adolescência é a fase em que a pessoa se descobre como indivíduo separado dos pais, gerando um sentimento de curiosidade e euforia, porém também gera sentimentos de medo e inadequação. Um adolescente está descobrindo o que é ser adulto, mas não está plenamente pronto para exercer as atividades e assumir as responsabilidades. Assim sendo, ele procura exemplos de pessoas próximas ou não, ídolos artísticos ou esportivos, entre outros, para construir seu caráter e seu comportamento, também é visível a necessidade do adolescente de contrariar a vontade ou as ideias dos pais. Esse comportamento opositor aos pais acontece em decorrência da necessidade do adolescente de separar-se dos pais, ser diferente deles para construir sua própria identidade como pessoa. Ao mesmo tempo, o adolescente pode não se ver capaz ainda de se separar desse pais, gerando então nele um sentimento de medo. De um lado a necessidade de separar-se para ser um indivíduo diferente e de outro lado a dificuldade de assumir posição adulta com suas responsabilidades e desejos, levando o adolescente a uma fase de intensa confusão de sentimentos, com uma constante mudança de opiniões, metas e com um comportamento bastante impulsivo.
Muitos dos comportamentos atípicos manifestados pelos adolescentes, podem apenas ser uma busca por sua identidade e não uma doença mental, pode sim se tratar de um sofrimento para o adolescente, podendo ele beneficiar-se de intervenções psicológicas.
Dentre os transtornos mais comuns vistos na adolescência, destacam-se:
Transtorno de humor, é o grupo onde se incluem as doenças depressivas, de certo modo comuns na adolescência, acompanhadas das mais diversas manifestações. Apresentando humor deprimido acentuado, ou irritabilidade, perda de interesse ou prazer em suas atividades, perda ou ganho de peso, insônia ou excesso de sono, abuso de substâncias psicoativas entre elas a mais comum, o álcool e até mesmo outras drogas. O tratamento desse transtorno envolve uso de antidepressivo associado a psicoterapia.
Transtornos alimentares, onde se incluem a Bulimia e Anorexia. A pessoa demonstra um pavor de engordar, tomando atitudes exageradas ou não necessárias para emagrecer, mantendo o peso muito abaixo do esperado para ela. O tratamento desse transtorno envolve uma equipe multidisciplinar, psiquiatra e nutricionista, antidepressivos e psicoterapia, necessitando em alguns casos de intervenções na família.
Transtorno do uso de substâncias psicoativas, O uso de drogas, é um tipo de alteração de comportamento bastante visto na adolescência. A dependência de drogas, que é o transtorno mais grave desse grupo, manifesta-se pelo uso de substância associado a uma necessidade intensa de ter a droga, ausência de prazer nas atividades sem a droga e busca incessante da droga, muitas vezes envolvendo-se em situações ilegais ou de risco para se conseguir a mesma. O tratamento envolve psicoterapia, educação familiar e medicamento, em alguns casos é necessário a internação hospitalar.
Transtorno de conduta, caracteriza-se por comportamentos repetitivos de contrariedade a normas e padrões sociais, conduta agressiva e desafiadora. Constitui-se em atitudes graves, sendo mais do que rebeldia adolescente e travessuras infantis. Esses adolescentes envolvem-se em situações de ilegalidade e violação do direito de outras pessoas. Aparecem roubos, destruição de patrimônio alheio, brigas, crueldade e desobediência intensa como algumas das manifestações.
O tratamento envolve basicamente psicoterapia, podendo-se utilizar medicamentos no controle da impulsividade desses pacientes. São transtornos de difícil manejo e muitas vezes necessitam de intervenções familiares e sociais.
Transtorno de ansiedade, pessoas que vivem com um grau muito intenso de ansiedade pode chegar a um prejuízo no seu funcionamento social, pode aparecer na adolescência sob a forma de ansiedade de separação, geralmente dos pais, por não conseguir manter atividades sem a presença dos mesmos. São extremamente tímidos e muitas vezes, não conseguem obter prazer em quase nenhuma atividade fora de casa. O tratamento envolve basicamente psicoterapia, podendo-se recorrer a alguns medicamentos como coadjuvante.
Transtorno psicótico, nessa fase da vida, muitos transtornos psicóticos iniciam suas manifestações. Esses transtornos são graves, muitas vezes levando o adolescente a internação hospitalar e são caracterizados por comportamentos e pensamentos muito bizarros e distorcidos frente a realidade. O tratamento baseia-se em tratamento medicamentoso com o uso de antipsicóticos e psicoterapia de apoio. São transtornos em sua maioria crônicos principalmente se não tratados.
Suicídio na adolescência, muitos transtornos da adolescência podem se manifestar com comportamento suicida. Tentativas ou ameaças de suicídio podem aparecer. Alguns comportamentos de exposição e risco também podem ser sinais de comportamento suicida na adolescência, mesmo sem a manifestação explícita dessa intenção. O comportamento impulsivo do adolescente acarreta um risco maior de tentativas de suicídio mesmo na ausência de sintomas depressivos ou uma clara ideia suicida, o que torna o adolescente muito mais vulnerável a este tipo de comportamento.
São muitas as possibilidades de transtornos mentais nessa fase do indivíduo, mas todas as situações devem ser muito bem avaliadas antes de concluir um diagnóstico, principalmente na adolescência. Além das dificuldades pessoais dos adolescentes e de sua intensa modificação corporal e mental, o que por si só já pode gerar comportamentos e sentimentos inadequados, suas atitudes podem ainda refletir problemas familiares. Assim sendo, sem uma devida avaliação do adolescente é no mínimo imprudente, caracterizá-lo como tendo uma doença mental específica.

Drogas na adolescência

O uso de drogas por adolescentes, assume uma característica cada vez mais com tendência a escalada e ao abuso e, em muitos casos, com uma clara inclinação desestruturante para a vida psíquica e interpessoal do adolescente.
Muitos fatores contribuem para o incremento deste problema que, nas duas últimas décadas, assumiu proporções preocupantes. Com o aumento do consumo, o comércio de drogas tornou-se a segunda maior fonte de renda do planeta, só perdendo para a indústria de armas e dificultando qualquer ação no terreno da prevenção.
Para Knobel, o adolescente atravessar desequilíbrios e instabilidades extremas, apresenta momentos de elação e ensimesmamento, audácia e timidez, descoordenação, urgência, desinteresse e apatia que se sucedem ou são concomitantes com conflitos afetivos, crises religiosas nas quais pode oscilar do ateísmo anárquico ao misticismo fervoroso, intelectualizações e postulações filosóficas, ascetismo, condutas sexuais dirigidas ao heteroerotismo e até homosexualidade ocasional.
Por definição, droga é toda substância lícita ou ilícita que uma vez introduzida no organismo provoca alterações no seu funcionamento.
Drogas psicoativas, são aquelas que alteram o funcionamento do sistema nervoso central, principalmente a consciência, as funções cognitivas, o afeto, senso percepção e conduta, e que podem levar a adição e a problemas físicos ameaçadores a vida.
Diversos autores apontam como preocupante, o aumento da incidência do uso abusivo de drogas entre adolescentes, principalmente álcool e cocaína.
Um fator agravante deve a associação estatisticamente significante de comorbidade.
Ainda que não exista uma psicopatologia exclusiva na relação com uso abusivo de substâncias psicoativas, vários transtornos psiquiátricos atravancam ou desencadeiam o uso abusivo das mesmas, sedo os principais, transtorno de conduta, transtorno desafiador opositivo, TDAH, depressão, transtornos ansiosos, esquizofrenia e o transtorno bipolar de humor.
Podemos definir a dependência como a participação imprescindível de uma droga na vida de um indivíduo. A dependência psíquica caracteriza-se por modificações comportamentais e psicológicas decorrentes da compulsão ao uso com o objetivo de diminuir ou prevenir o mal estar causado pela privação, havendo necessidade de consumir doses cada vez mais elevadas de uma droga para alcançar seu efeito.
Adolescente sob efeito de drogas, apresenta desinibição comportamental, perda de juízo crítico e de reflexos motores, fatos que colaboram para que algumas das principais causas de mortes entre adolescentes, como acidentes automobilísticos, suicídio, afogamentos e mortes por arma de fogo estejam relacionados em quase metade dos casos ao consumo recente de bebidas alcoólicas ou outras drogas.
Alguns sinais de alerta podem ajudar pais e professores na identificação de comportamentos relacionados ao uso de álcool e drogas, mudança de personalidade e de humor, irritabilidade, quebra de regras, brigas freqüentes com pais, comportamento irresponsável acompanhado de falta de motivação pelas atividades e baixa auto-estima. Na escola pode haver perda de interesse, queda de rendimento escolar, atitude negativista, atrasos e faltas injustificáveis, problema de disciplina, envolvimento com colegas usuários de drogas, grande mudança na aparência física, vestimentas e apresentação pessoal.
Na prevenção ao uso de álcool e drogas na escola, é de essencial importância programas educacionais, debates, conferências, palestras e encontros com pais e alunos. Dentro de casa, um importante fator é o bom relacionamento entre pais e filhos. Uma das funções da família, é dialogar, esclarecer dúvidas, ensinar limites e ajudar o adolescente a lidar com frustrações.
Quando o jovem já se tornou usuário ou dependente das drogas, o tratamento depende de diversos fatores, o tipo, a qualidade e a freqüência do uso de drogas, os prejuízos e o grau de adesão do paciente e de sua família ao tratamento.

Conflitos na adolescência

Uma das dificuldades mais comuns entre os adolescentes, é conseguir entender as mudanças que ocorrem nessa fase da vida.
É muito comum que essa dificuldade acabe por refletir em suas emoções, causando mau humor, irritação em relação a tudo o que os outros falam ou fazem, tendo a sensação de que ninguém é capaz entender seus sentimentos ou pensamentos.
A adolescência marca um período em que o futuro parece ter chegado, mudam os interesses, as exigências e as relações. Os pais não sabem como tratar seus filhos, ora são crianças demais, ora são grandes demais. Diante disso, nada mais natural do que a sensação da incompreensão vivida pelo adolescente.
Como se não bastasse tudo isso, outras exigências são impostas ao adolescente, escolher uma profissão é uma delas, surgindo muitos conflitos por causa dessa necessidade. Além disso, surgem as primeiras paixões, desilusões, a incerteza de ser amado ou atraente para a pessoa de quem se gosta.
Infelizmente, todos esses conflitos não se resolvem facilmente. A insatisfação com vários aspectos da própria vida, as incertezas sobre o amor e as angústias em torno da profissão, acompanham as pessoas pela vida a fora. Afinal, são essas angústias que fazem com que nos movimentemos procurando mudanças que melhorem nossas vidas. O que há de especial em todos esses conflitos durante a adolescência, é que eles mostram que estão crescendo e amadurecendo.
Quando aprendemos a lidar com as incertezas, ficamos mais fortes para fazer as mudanças necessárias. É esse o sentido de todas as dúvidas que povoam a adolescência.

Stress

O estresse vem atacando nosso organismo cada vez mais cedo.
No passado, não havia estudos aprofundados e foi a partir daí que o stress foi lido como o facilitador de todos os males. Hoje em dia, basta uma pessoa se irritar com qualquer coisa para alguém diagnosticar como estressada.
Segundo Hans, um famoso endocrinologista do Canadá, a definição correta para o stress, seria um conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço para adaptação. Muitas vezes, o estressado não se dá conta da carga emocional e do seu estado de confusão mental. Os piques de humor e instabilidade gerando situações indesejadas, pode estar relacionada ao stress.
A pressão sofrida pelo adolescente para que escolha o curso certo, passe nas provas e consiga vaga em uma boa universidade, pode fazer com que ele se sinta em um estado constante de tensão, tanto pelas exigências vindas dos outros quanto pelas provenientes de si mesmo.
Nesses casos os sintomas identificados no final do ano são, dificuldade de concentração, problemas de memória, mau humor, problemas de sono, etc. Além desses, outros sinais de stress podem aparecer como se sentir preocupado e sob pressão o tempo todo, ter dificuldade para relaxar, aumento excessivo de irritabilidade, ter vontade de fugir e abandonar tudo, sentir muito medo do fracasso, perder o prazer de realizar atividades que antes eram muito agradáveis, entre outros.
Outro motivo que causa stress no adolescente, se refere a separação dos pais, que como conseqüência, pode ocasionar um acúmulo de pressões e de mudanças na rotina que pode deixar qualquer criança ou adolescente estressado. Outro caso pode ser um namoro complicado, uma gravidez inesperada, uma mudança muito brusca na rotina, o excesso de atividades, a morte de uma pessoa muito querida ou qualquer alteração muito significativa na vida.
Na correria do dia a dia, ficou difícil para todas as faixas etárias manterem-se em um patamar longe do stress. O stress é um processo, o seu desenvolvimento vai depender da resistência psicológica do indivíduo, da sua personalidade e do seu modo de perceber as coisas que se passam a sua volta. Pode ser rápido ou longo.
É importante tentar ao máximo manter-se longe da carga negativa causada pelo cotidiano, uma alimentação saudável e equilibrada, exercício físico e tentar melhorar a qualidade de vida investindo nas amizades, uma vida social e afetiva prazerosa e principalmente reservar um tempo para fazer aquilo que gosta e que o deixa relaxado. Dessa forma, desde a adolescência, é possível se prevenir contra o mal da vida moderna, preservando a saúde e o bem estar.

PSICANÁLISE

O fundador da Psicanálise foi um médico austríaco, Sigmund Freud, nascido em 1856. Estudou medicina e após o término do curso dirigiu-se a Paris para especializar-se em neurologia. Tornou-se então aluno do Dr. Charcot, que exerceu sobre Freud influência decisiva, principalmente por Charcot acreditar que as doenças mentais eram originadas de certos fatos passados na infância dos indivíduos doentes e para fazer com que seus pacientes narrassem fatos do seu tempo de criança, Charcot usava a hipnose e assim o médico com conhecimento de certos episódios emocionais na infância, descobriria as causas de suas doenças.
Em Viena, Freud associou-se ao Dr. Breur e ambos usavam o método de Charcot, isto é, hipnotizavam seus doentes de modo que contassem fatos de sua infância. Esse relato fornecia dados que auxiliavam no diagnóstico da doença e aliviavam o paciente libertando-o de alguns sintomas, a angústia, a agitação, a ansiedade, etc. Chamavam esse método de catarse. Notaram porém que essa cura era transitória, logo apareciam outros sintomas de perturbação.
Em 1922, Freud definiu a Psicanálise como um procedimento que servia para investigar processos anímicos dificilmente acessíveis por outras vias, um método de tratamento das perturbações neuróticas, fundado nessa investigação e uma série de concepções psicológicas, obtidas por esse caminho, que pouco a pouco foram se constituindo em uma nova disciplina científica. Freud, caracteriza a Psicanálise em função de uma teoria, um método e uma técnica.
Defini-se como teoria o sistema conceitual. Uma teoria se constrói a partir dos fenômenos, tentando revelar o sistema que o produz.
A partir do sintoma, do sono e do ato falho, Freud constrói uma teoria do aparelho psíquico.
O método em Psicanálise, é a associação livre e possibilita a passagem de uma teoria geral de um processo (teoria da elaboração onórica) para a compreensão de um fenômeno particular. Ou num nível mais amplo, a passagem de uma teoria geral do sujeito para o estudo de um sujeito singular e das determinações que o constituem. É a relação entre objeto teórico (teoria do inconsciente), com sua objetivação como método (associação livre, atenção flutuante) e determinação de uma técnica, o que permite transformações e articulações sobre a realidade.
Um instrumento técnico, a castração, com a qual se tenta descobrir situações históricas do paciente que possam estar determinando seu padecer atual.
Uma técnica não pode ser compreendida ou aplicada se os conceitos que a fundamentam são desconhecidos. Toda prática tem um efeito que lhe é especifico. No caso da Psicanálise, isto abre a questão do projeto terapêutico. Mencionando algumas das propostas que Freud foi elaborando ao longo de sua experiência, que são fazer consciente o inconsciente, resolver fixações infantis, colocar menos energia a serviço das defesas, ter mais capacidade de realizar sublimações e em última instância, melhorar as transações que o eu deve fazer constantemente ante as exigências contraditórias que lhe impõem o isso, o super eu e a realidade exterior.
Resumindo, a Psicanálise para Freud é uma técnica, um método terapêutico e um conjunto de concepções psicológicas convertendo-se em uma ideologia relevante frente a crise ideológica, isso faz com que em muitos pacientes encontraremos não um branco em sua história, mas um texto que vem recobrí-la.

Comportamento Adolescente

A adolescência não é um fenômeno universal. Os antropólogos constatam que as sociedades tribais não passam por esse estágio, mesmo porque o advento do mundo adulto se encontra nitidamente marcado pelos ritos de passagem. Os rituais introduzem a criança no sistema de valores bem definidos do mundo adulto, não havendo ambigüidades a respeito dos direitos e deveres que o novo estado lhe acarreta.
Em nossa cultura, não só há o período de adolescência, como a tendência é ampliá-la cada vez mais, na medida em que o tempo de estudo aumenta, adiando a entrada no mercado de trabalho.
Torna-se cheio de contradições o espaço de tempo em que a pessoa, abandonando as características infantis ainda não assumiu as obrigações e responsabilidade da vida adulta.
De início o adolescente precisa elaborar algumas perdas do corpo infantil, do papel e identidade infantis, dos pais da infância. Não se reconhece mais no seu corpo, questiona-se a respeito da própria identidade.
Além disso, vive uma situação de ambigüidade, ao mesmo tempo que hostiliza os pais, deseja sua atenção. Por outro lado, também a atitude dos pais é ambígua, pois em certos assuntos esperam dos filhos o comportamento adulto e em outros momentos, tratam-nos como crianças.
Na infância há várias alterações no desenvolvimento infantil, mas nenhuma é tão crucial como a da adolescência, não se trata de pequenas mudanças quantitativas, mas de um salto qualitativo, que traz certa perplexidade ao adolescente.

AMADURECIMENTO PSICOLÓGICO

Alguns especialistas acreditam que a adolescência nos dias atuais pode se estender em muitos casos até a faixa dos trinta anos.
Winnicott, psicanalista inglês, refere-se ao contexto da adolescência dentro da teoria do amadurecimento pessoal, enfatizando o rearranjo psíquico que ocorre de acordo com os padrões organizados na primeira infância e apresentando algumas características dessa fase, como a imaturidade e o isolamento. Outros elementos são articulados, como a luta para sentir-se real, a repulsa pelas falsas soluções, as fantasias inerentes às escolhas objetais e os problemas que daí decorre. Articula-se o papel dos pais e professores como fundamental para a contenção e fornecimento de realidade.
Apresenta-se a problemática da distinção das patologias que se confundem com a adolescência normal e a relação destas com as tendências anti-sociais.
Segundo a teoria de winnicott, o seu humor pode se desenvolver através de uma tendência inata a integração e ao amadurecimento. Porém, nada se realiza sem uma provisão ambiental suficientemente boa, que estabelece com a genética um entrelaçamento complexo.
O adolescente repete a batalha do bebê, torna-se apto a se relacionar com objetos fora de seu controle mágico, reconhecendo objetos que não são parte dele.
A luta do adolescente concentra-se em descobrirem-se em seus elementos destrutivos e amorosos. Discutem-se algumas características da sexualidade do adolescente, bem como de suas fantasias agressivas. A imaturidade desse período é considerada como germe das mudanças da sociedade e é enfatizada como algo necessário, que só o tempo pode curar. Algumas peculiaridades do adolescente, como a luta para sentirem-se reais e a recusa de falsas soluções são discutidas como elementos a mais no desafio que o adolescente oferece a seus pais.
A adolescência para winnicott, é uma fase de crescimento normal que compreende a puberdade e suas inerentes mudanças sexuais, bem como a busca do adolescente em tornar-se adulto. Nessa fase há um quadro confuso, em que ocorre a oscilação entre dependência e arrogância em relação aos pais e a sociedade.
O modo como o adolescente enfrenta as mudanças e lida com as ansiedades decorrentes das mesmas, baseia-se no padrão organizado desde os primeiros tempos da infância. Esse padrão é uma boa parte inconsciente e também marcado por aquilo que a criança não viveu. Assim os sucessos e os fracassos do bebê e da criança em lidarem com seus sentimentos retornam para acomodar-se. Já a criança bem cuidada chega a adolescência com um método para atender aos novos sentimentos, tolerar situações de apuro e rechaçar situações que envolvam ansiedades intoleráveis. O fato dos pais terem fornecido um bom início, não implica a ausência de problemas. Há uma longa luta na qual os pais precisam sobreviver.