domingo, 3 de abril de 2011

Características cognitivas nos transtornos mentais infantis

CARACTERÍSTICAS COGNITIVAS NOS TRANSTORNOS MENTAIS INFANTIS

As características cognitivas nos transtornos mentais infantis, são aquelas onde existe uma causa básica para todos os sintomas que acompanham as síndromes causando um prejuízo cognitivo importante, se manifestando em déficit de memória, atenção e concentração.

Autismo
Considerando-se o desenvolvimento cognitivo, observa-se pequeno número de inteligência normal.
Tal fato é enfatizado considerando-se real a ligação entre o autismo e a deficiência mental, estabelecendo-se a noção de um. A teoria metarepresentação é uma teoria cognitiva que considera como fundamental a incapacidade do autista de compreender os estados mentais dos outros. Assim sendo, os déficits pragmáticos de relacionamento social e de linguagem seriam dela decorrentes. Considera assim que o autismo é causado por um déficit cognitivo central.
Outros estudos também enfatizam a questão cognitiva, embora procurando funções mais especificamente comprometidas como sendo as responsáveis pela constelação sintomatológica.
Segundo Rilvo (1976) o autismo é relacionado a um déficit cognitivo considerando-o não uma psicose e sim um distúrbio do desenvolvimento.

Sindrome de Asperger
A síndrome de Asperger, assim como o Autismo, é um transtorno de desenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Tanto o Autismo quanto a Sindrome de Asperger são conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento.
Considerando a representação social do Autismo, os indivíduos com Sindrome de Asperger encontram-se isolados mas não são inibidos na presença dos demais, estabelecendo com o interlocutor, uma conversação em monólogo caracterizada por uma linguagem prolixa, pedante, sobre um tópico favorito e normalmente não usual e bem delineado.
Podem expressar interesse em fazer amizades e encontrar pessoas, mas seus desejos são invariavelmente frustrados por suas abordagens desajeitadas e pela insensibilidade em relação aos sentimentos e intenções das demais pessoas e pelas formas de comunicação não literais e implícitas que elas emitem.
Algumas crianças com Síndrome de Asperger, desenvolvem sintomas de ansiedade ou de humor que podem requerer tratamento, incluindo medicação.
Crianças com Síndrome de Asperger, podem ter um histórico de aquisição atrasada das habilidades motoras, tais como andar de bicicleta, agarrar uma bola, subir em brinquedos de parquinho. Visivelmente são desajeitados e podem exibir padrões de andar arqueados ou aos saltos e uma postura bizarra.

Transtorno Desafiador Opositivo
As crianças com Transtorno Desafiador Opositivo (TDO), não participam de atividades em grupo recusam a pedir ou aceitar ajuda dos professores, querem sempre solucionar seus problemas sozinhos, discutem com professores e colegas, não aceita ordens, não realizam deveres escolares, não aceitam críticas, quer tudo a seu modo.
Crianças inseridas em ambientes domésticos caóticos e problemáticos, possuem maiores chances de apresentarem o transtorno. Comumente observa-se crianças com este diagnóstico vivendo em lares onde os pais não estabelecem limites aos filhos, em contrapartida também em lares opressores e de normas demasiadamente rígidas. Nesse caso a criança convive diariamente com a violência, agressividade, hostilidade e brigas dos pais. Essa criança pode assumir o comportamento dos pais como "normal" e levar essa conduta aprendida para o ambiente escolar.

Transtorno de Conduta
A criança com transtorno de conduta, costuma apresentar um comportamento inadequado na escola, mentiras brigas corporais, mata aula, destrói carteiras, rouba material escolar, age com agressividade e ameaças contra professores e alunos, hostilidade com colegas da turma, se isolam geralmente são os autores de bullying, tem um desempenho escolar fraco e baixo nível intelectual.
Na escola, professores e funcionários podem encontrar mecanismos mais adequados para reintegrar o aluno com transtorno de conduta em sala de aula.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Na escola a criança com TDAH, deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por discuido em atividades escolares, de trabalhos e outras. Apresentam dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas. Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra, não segue instruções e não termina seus deveres escolares, apresenta dificuldades para organizar tarefas e atividades, perde coisas necessárias para atividades e apresenta esquecimento em atividades diárias, causando um baixo rendimento escolar, a criança não consegue acompanhar sua turma, sendo muitas vezes reprovado levando essa criança a baixa autoestima e falta de motivação nos estudos.

Transtornos associados ao consumo de Drogas
Os trans tornos associados ao consumo de drogas são transtorno de condutas, transtorno desafiador opositor, TDAH, depressão, ansiedade, esquizofrenia e o transtorno bipolar do humor.
O trabalho de prevenção ao uso de álcool e drogas na escola, é de essencial importância, visto que o início de seu uso, na maioria das vezes, ocorre com colegas de sala de aula, dentro do ambiente escolar.
Debates, conferências, palestras e encontros com pais e alunos podem ser estimulados para orientar os alunos.
Quanto ao desenvolvimento escolar, apresenta perda de interesse, queda de rendimento escolar, atitude negativista, atrasos e faltas injustificáveis, problemas de disciplina. Sintomas como fadiga, problemas do sono, dores de cabeça, enjôos e mal estar.

Abuso sexual infantil
O abuso sexual infantil contra a criança, é considerada um problema de saúde pública, trazendo sérias consequências para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da vítima e de sua família. Essa forma de violência pode ser definida como qualquer contato ou interação entre uma criança e alguém em estágio psicosexual mais avançado, podendo incluir toques, carícias, sexo oral ou relações com penetração (digital, genital ou anal). O abuso sexual também inclui situações nas quais não há contato físico, tais como voyerismo, assédio e exibicionismo.
Essas interações sociais são impostas às crianças pela violência física, ameaças ou endução de sua vontade.
O abuso sexual pode afetar o desenvolvimento da criança de diferentes formas, enquanto umas apresentam efeitos mínimos ou nenhum efeito aparente, outras desenvolvem graves problemas emocionais, sociais e/ou psiquiátricos. Podendo desenvolver quadros de depressão, transtorno de ansiedade, alimentares, dissociativos, hiperatividade e déficit de atenção, transtorno de personalidade, borderline e a psicopatologia mais citada, é o transtorno de estresse pós-traumático.
Dentro de uma perspectiva cognitiva, esse transtorno causa prejuízos neuropsicológicos, aprendizagem verbal, memória e atenção.
A criança exposta a eventos traumáticos, como por exemplo, abuso sexual infantil, pode interferir no processo de maturação e organização cerebral.

Retardo Mental
As características cognitivas no retardo mental, se dão pelo comprometimento durante o desenvolvimento mental que determina o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de linguagem, da motricidade e do comportamento social.

Transtorno de aprendizagem
Afasia congênita, também chamada de transtorno grave de elaboração da linguagem, caracteriza-se pelo não aparecimento da linguagem em algumas crianças que não apresentam outras condições como surdez, autismo, oligofrenia que explicariam tal fato.Esse transtorno afeta a expressão e compreensão.
Dislalia, é quando ocorre erros na articulação dos sons da fala, como, omissão, substituição e distorção de fonemas não decorrentes de alterações neurológicas, e sim devido a alterações funcionais. Pode também estar associada a um atraso geral do desenvolvimento e também a déficit cognitivo.
Disartria, é um problema articulatório que se manifesta na dificuldade para realizar alguns ou muitos movimentos necessários a emissão verbal. É caracterizado por transtorno da expressão verbal, de causa neuropatológica, por doenças generativas, encefalites, lesões vasculares, exposições tóxicas e outros. Envolve disfunções motoras da respiração, fonação, ressonância, articulação e prosódia.
Quando ocorre lesão de algum componente motor da fala, é observado modificações do movimento voluntário, automático e reflexo, produzindo hipotonia, paralisia ou espasmos na expressão verbal.
Disfonia é definida como uma alteração indesejada da qualidade vocal, envolvendo diversos aspectos, altura, intensidade, estabilidade da voz, etc. A Disfonia pode ser de origem orgânica, funcional ou psicogênica.
Atraso de linguagem pode ser definido como a ausência do surgimento da linguagem no período em que ela deveria ocorrer para a idade na qual a criança se encontra. As bases do atraso de linguagem na maioria das vezes tem uma causa social, fatores biológicos (disfunção cerebral mínima) associados ou causadores do quadro. É comum as crianças com atraso de linguagem de causa biológica apresentarem também TDAH, transtorno de comportamento com déficit de atenção e memória, defeitos articulatórios, mobilidade oral alterada entre outras características não presentes no atraso de linguagem simples.
Discalculia se caracteriza pela dificuldade que a criança apresenta em quantificar, numerar ou calcular.
A discalculia ocorre em razão de uma falha na formação dos circuitos neurais, ou seja, na rede por onde passam os impulsos nervosos.
Gagueira é um distúrbio que afeta a fala e caracteriza-se por interrupções no ritmo e na melodia do discurso, se apresentando em repetições, bloqueios, prolongamentos, hesitações, movimentos associados e evitação de palavras.
Dislexia, dificuldade de aprendizagem na qual a capacidade de uma criança para ler ou escrever está abaixo do seu nível de inteligência ou seja, insuficiência para assimilar os símbolos gráficos da linguagem. A dislexia é de origem congênita e hereditária e seus sintomas podem ser identificados logo cedo em crianças que demoram para falar ou trocam o som das letras e tem dificuldade para ler e escrever. As crianças disléxicas possuem falhas nas questões cerebrais, elas podem contar apenas com a região do cérebro responsável por processar fonemas e sílabas, enquanto a área responsável pela análise de palavras, não exerce a sua função.
A criança disléxica apresenta fraco desenvolvimento de atenção atraso no desenvolvimento da fala e escrita, atraso no desenvolvimento visual, falta de coordenação motora, dificuldade em aprender rimas, dificuldade de acompanhar histórias, dificuldade com a memória imediata e a organização em geral, inversão de letras e números e falhas na elaboração de orações complexas e na redação espontânea.
Quanto mais cedo identificado, menores serão os prejuízos na escola e social a que essa criança estará exposta. Muitas vezes elas apresentam baixa auto-estima e são estigmatizadas como crianças que não aprendem ou não se esforçam.

Depressão infantil
O transtorno depressivo produz dificuldades sociais e escolar que podem comprometer o desenvolvimento e funcionamento social da criança e de suas relações interpessoais. Crianças depressivas apresentam tristeza, apatia, isolamento em sala de aula, falta de motivação e humor deprimido. Contudo, é comumente observado um humor irritável ou instável. O desempenho escolar, quase sempre acompanha o transtorno, porque crianças com depressão não conseguem concentrar-se, há perda de interesse pelas atividades.
Acredita-se que a depressão infantil é causada por fatores genéticos associados a fatores bioquímicos e ambientais.

Transtorno Bipolar de Humor
O transtorno bipolar de humor na infância afeta consideravelmente a vida da criança, caracterizado principalmente pela fase maníaca com alteração ou oxilação do humor.
Na escola é observado piora no desempenho escolar, acompanhado de dificuldade de concentração, distração, agitação e inquietação, irritabilidade, instabilidade emocional e acessos de raiva.
Não existe uma causa específica para o surgimento do transtorno, entretanto as principais hipóteses relacionam fatores genéticos ligados a alterações químicas no cérebro.

Retardo Mental
O retardo mental é caracterizado por habilidades intelectuais abaixo da média, essas limitações causam diversos problemas no funcionamento diário, na comunicação, interação social, habilidades motoras, cuidados pessoais e na vida escolar.
Segundo os critérios diagnósticos utilizados pela Organização mundial de saúde temos quatro tipos de retardo mental, leve, moderado, grave e profundo.
A criança com retardo mental leve apresenta atraso na linguagem, entretanto conseguem comunicar-se e acompanhar os estudos até certo ponto e apresentam independência nos cuidados pessoais. Com o devido acompanhamento médico e terapêutico conseguem viver vida independente, ter trabalho, casar e administrar seu lar.
No retardo mental moderado, a criança apresenta maior dificuldade na compreensão e no uso da linguagem. Cuidados pessoais e habilidades são limitadas e podem precisar de ajuda durante toda vida.
Crianças com retardo mental grave e profundo apresentam maiores prejuízos intelectuais, funcionais e motores, apresentam déficits visuais e auditivos indicando presença de lesões orgânicas ou desenvolvimento inadequado do cérebro. Essas crianças necessitarão de atenção e cuidados especiais por toda a vida.
Uma vez que o retardo mental não tem cura, deve ser feito um trabalho educacional especial sempre respeitando as limitações da criança.

3 comentários:

  1. Olá Selma, sou mãe de uma menina de 14 anos (DM)atraso mental moderado,e estamos com problemas com a inclusão pois a escola em que estuda, ainda não entendeu o que é inclusão, então não sei o que fazer, minha filha não sabe nada das matérias dadas a ela, tem ido para a escola atoa pois nem os deveres de aula não consegue copiar todo, tenho vontade de tirar ela de lá e ensina-la somente em casa, pois estamos tentando memorizar a tabuada de 2 a 5,pedido pela pedagoga de onde ela faz tratamentos semanal,com relação aos estudos estou perdida e sem saber como agir, Thais.

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  2. Olá Thaís
    Há cinco anos eu trabalho com alunos de inclusão na sala de aula e te garanto que é gratificante demais. Pois todos os alunos da sala ganham com isso. Todos ensinam e aprendem uns com os outros. Não tire ela da escola, pois por menor que pareça o progresso, sempre é significativo. Procure sempre entrar em contato com a escola, pedindo orientação de como ajudá-la.
    Me passa o que ela está desenvolvendo atualmente na escola e pode ser que eu consiga orientá-la.
    Me desculpe por eu estar respondendo só agora, mas eu estava sem computador em casa.
    Selma

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  3. Olá Selma, minha filha esta hoje com 16 anos e desisti da inclusão escolar, estamos procurando um colégio com salas para PNE, o desgaste foi enorme.bjs Thais.

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